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Amaranthaceae

Ervas anuais ou perenes, raramente arbustos ou subarbustos, terrestres, frequentemente ruderais ou halófitas; caules eretos, decumbentes ou prostrados, simples ou ramificados, glabros ou pubescentes. Folhas alternas ou opostas, simples, inteiras ou raramente lobadas, pecioladas; lâmina ovada, elíptica, lanceolada ou linear; nervação peninérvia ou raramente palmatinérvia; estípulas ausentes. Inflorescências axilares ou terminais, em espigas, panículas, glomérulos ou capítulos densos, frequentemente acompanhadas por brácteas e bractéolas escariosas e persistentes. Flores pequenas, inconspícuas, hermafroditas ou unissexuadas, actinomorfas, raramente zigomorfas. Perigônio com 1–5 tépalas livres ou concrescidas, membranáceas a escariosas, persistentes no fruto. Androceu com 1–5 estames, livres ou unidos na base em tubo; estaminódios por vezes presentes. Gineceu monocarpelar ou bicarpelar, sincárpico; ovário súpero, unilocular, com 1 óvulo basal; estilete curto ou ausente; estigma capitado ou bilobado. Fruto aquênio ou pixídio (com deiscência circuncisa). Sementes geralmente lenticulares, lisas ou ornamentadas; embrião curvado ou em anel, envolvendo o perisperma farináceo.

Em resumo, Amaranthaceae distingue-se principalmente pelo hábito herbáceo a subarbustivo, folhas simples sem estípulas, flores pequenas, geralmente actinomorfas, reunidas em inflorescências densas, com perigônio seco, escarioso, estames frequentemente em número igual ou menor que o de tépalas, ovário súpero e unilocular, e frutos do tipo aquênio ou pixídio, frequentemente com sementes lenticulares e embrião curvado.

inflorescências congestas com muitas flores reduzidas, típicas da família.

Família de distribuição cosmopolita, com maior diversidade em regiões tropicais e subtropicais, mas amplamente representada também em áreas temperadas. Inclui cerca de 165–180 gêneros e aproximadamente 2.000–2.500 espécies. No Brasil, é uma das famílias mais diversas e amplamente distribuídas, ocorrendo em praticamente todos os biomas, especialmente em ambientes abertos, áreas antropizadas, campos e regiões semiáridas.

No Brasil, Amaranthaceae está amplamente distribuída e bem representada, ocorrendo em todos os biomas. A família apresenta elevada diversidade em ambientes abertos, áreas sazonalmente secas, campos naturais, restingas, dunas, margens de rios e ambientes antropizados. A flora brasileira abriga aproximadamente 27 gêneros e cerca de 158 espécies de Amaranthaceae, incluindo elevado número de espécies nativas e endêmicas, especialmente nos gêneros Alternanthera, Gomphrena, Pfaffia. O Cerrado e a Caatinga destacam-se como centros importantes de diversidade, com numerosas espécies adaptadas a solos pobres, altas temperaturas e regimes hídricos irregulares.

Alternanthera, gênero mais representativo no Brasil

Espécies de Amaranthaceae ocupam ampla gama de habitats, incluindo ambientes secos, salinos, perturbados e urbanos, sendo muitas espécies pioneiras. A polinização é predominantemente anemófila, embora ocorra também entomofilia em alguns grupos. As flores pequenas e a produção abundante de sementes favorecem estratégias reprodutivas oportunistas. A dispersão das sementes ocorre principalmente por gravidade, vento ou água, podendo ser facilitada por atividades humanas.

Blutaparon portulacoides, espécie halófila e psamófila de grande importância nas dunas do litoral brasileiro
Salicornia ambigua, planta com grande resistência a salinidade, capaz de dessalinizar solos e pode ser usada como alternativa ao sal de cozinha

Amaranthaceae é uma das famílias de maior relevância econômica e etnobotânica entre as Caryophyllales, apresentando amplo espectro de usos alimentares, medicinais, forrageiros, ornamentais e industriais. A espécie da família mais cultivada globalmente é a beterraba (Beta vulgaris, mas diversas espécies do gênero Amaranthus são cultivadas como hortaliças folhosas, com folhas e ramos jovens consumidos cozidos ou refogados, especialmente na África, Ásia e América Latina. Além disso, espécies como Amaranthus caudatus, A. cruentus e A. hypochondriacus são utilizadas como pseudo-cereais, produzindo grãos ricos em proteínas, aminoácidos essenciais (especialmente lisina), fibras e minerais, sendo importantes tanto na alimentação humana quanto em dietas sem glúten. O gênero Chenopodium inclui espécies de grande relevância alimentar, como Chenopodium quinoa (quinoa) e C. pallidicaule (cañihua), cultivadas principalmente na região andina. Outras espécies, como C. album, são consumidas localmente como hortaliças ou utilizadas como forragem. Algumas apresentam saponinas nas sementes, exigindo processamento prévio para remoção de compostos amargos.

Alternanthera philoxeroides, uma das múltiplas espécies nativas de uso alimentício

No âmbito medicinal, várias espécies são empregadas na medicina tradicional para o tratamento de inflamações, distúrbios gastrointestinais, infecções cutâneas e problemas urinários. Extratos de espécies de Amaranthus, Achyranthes e Alternanthera são citados em etnofarmacologia, embora muitos desses usos careçam de comprovação clínica sistemática.

Pfaffia glomerata (ginseng brasileiro), uma das muitas espécies utilizadas como medicinais no Brasil

A família também possui importância ornamental, destacando-se espécies de Celosia, Gomphrena e Alternanthera, cultivadas por suas inflorescências coloridas ou folhagem ornamental. Em contrapartida, várias Amaranthaceae incluem plantas daninhas agrícolas agressivas, especialmente do gênero Amaranthus, algumas que apresentam resistência a herbicidas e causam impactos econômicos significativos. Existem espécies halófitas, como Salicornia e Atriplex que são utilizadas em recuperação de áreas salinizadas, produção de forragem em ambientes áridos e estudos de fitorremediação. Nesses ambientes costeiros e salinos, espécies halófitas de Amaranthaceae desempenham papel ecológico relevante na estabilização do solo e na manutenção da vegetação pioneira. Em áreas urbanas e agrícolas, diversas espécies ocorrem como ruderais ou invasoras, refletindo a elevada plasticidade ecológica da família.

Amaranthus blitum, uma das ervas infestantes de cultivos mais comuns

Amaranthaceae pertence à ordem Caryophyllales e, em circunscrição moderna, engloba a antiga Chenopodiaceae, conforme sustentado por dados moleculares. Distingue-se de outras famílias da ordem pelo conjunto de caracteres como perigônio escarioso persistente, embrião curvado e presença de perisperma.

Gêneros em Santa Catarina

Chave dicotômica para identificação dos gêneros de Amaranthaceae em SC

  1. 1. Estames com filetes unilobado ou trilobados, anteras monotecas Amaranthus
  2. 2. Pseudoestaminódios ausentes ou se presentes, se presentes, então muito rudimentares e alternados com os filetes. 3
  3. 3. Pseudoestaminódios ausentes (sem qualquer rudimento) 4
  4. 4. Filetes unilobados, tubo estaminal livre ou aderido ao perigônio. Blutaparon
  5. 4. Filetes trilobados, tubo estaminal nunca aderido ao perigônio. 5
  6. 5. Flores membranáceas, papiráceas ou escariosas, filetes com laterais lisas sem projeções glandulares ou filiformes; estigma bilobado ou bífido Gomphrena
  7. 5. Flores escariosas, laterais dos filetes com projeções glandulares ou filiformes, raramente lisos; estigma geralmente capitado, assovelado, raramente bilobado Pfaffia
  8. 3. Pseusoestaminódios quando presentes, rudimentares alternandos com os filetes Hebanthe
  9. 2. Pseudoestaminódios sempre presentes e desenvolvidos, alternados com filetes 6
  10. 6. Dicásio com flores modificadas em espinhos Pseudoplantago
  11. 6. Dicásio nunca com flores modificadas 7
  12. 7. Plantas monoicas. Flores bissexuais. Estigma capitado Alternanthera
  13. 7. Plantas ginomonoicas. Flores femininas ou bissexuais. Estigma bífido Iresine
  14. 1. Estames com filetes unilobados, anteras bitecas 8
  15. 8. Estames fundidos em tubo estaminal ou concrescidos na base em anel carnoso 9
  16. 9. Flores com ovário uniovulado 10
  17. 10. Folhas com margem inteira, flores escariosas, perigônio com tépalas livres entre si, 5 tépalas. Chamissoa
  18. 10. Folhas com margem irregularmente denteadas, raro inteiras, flores carnosas perigônio fundido, 3-5 lobos Atriplex
  19. 9. Flores com ovário pluriovulado Celosia
  20. 8. Estames livre, nunca fundidos em tubo estaminal 11
  21. 11. Plantas suculentas. Folhas ausentes, quando presentes, presentes muito reduzidas e opostas Salicornia
  22. 11. Plantas não suculentas. Folhas presentes e alternas 12
  23. 12. Folhas com margens irregularmente serreadas. Flores carnosas. Sementes horizontais. 13
  24. 13. Caules e folhas com tricomas tectores. Flores 3-5 tépalas. Fundidas na base. Estigma 2-5, filiformes, estilete muito curto ou ausente Chenopodium
  25. 13. Caules e folhas com tricomas gandulares. Flores com 1-5 tépalas. Fundidas na base ou livres entre si. Estigma 1-3, filiformes, estietes 1-3 distintos Dysphania
  26. 12. Folhas com margens lisas. Flores membranáceas ou coriáceaes. Sementes verticais. Amaranthus

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